A reunião de ontem, do Conselho Europeu, para debater a política energética terminou sem grandes decisões, mas reforçando aquelas que eram já conhecidas como prioritárias para Bruxelas. A conclusão urgente de um mercado interno da energia interligado e que funcione plenamente, a facilitação do investimento necessário na energia, a diversificação do aprovisionamento da Europa e uma maior eficiência energética são as quatro intenções que saíram reforçadas deste Conselho Europeu.
Atendendo ao contributo potencial da eficiência energética para inverter tendências de preços e custos da energia, os 27 reforçaram a importância de medidas nesse sentido, em particular a implementação das directivas para a eficiência energética e para o desempenho energético dos edifícios, a revisão das directivas para a concepção ecológica e rotulagem energética até ao final de 2014. “As medidas e os programas no domínio da eficiência energética devem ser promovidos a todos os níveis”, apontam as conclusões do Conselho.
As conclusões, podem ser consultadas aqui.
A ineficiência energética vai bloquear o crescimento das economias europeias, alerta a iniciativa Renovate Europe. Numa carta enviada aos chefes de Estado, que se reuniram ontem - Conselho Europeu -, a iniciativa apela a um maior apoio a uma política europeia clara e ambiciosa para a eficiência energética pós-2020.
“Um dos principais obstáculos que impede a União Europeia de crescer rapidamente para fora da crise, é a ineficiência, mais especificamente a ineficiência energética, que contamina a nossa competitividade, aumentando a nossa vulnerabilidade à segurança de aprovisionamento e sobrecarrega desnecessariamente as nossas finanças públicas”, explica na carta, Adrian Joyce - coordenador da Renovate Europe.
“Quanto mais ineficientes forem as nossas economias, menos provável é que beneficiem de quaisquer medidas para o crescimento, devido à quota desproporcional de custos energéticos para os orçamentos públicos, das empresas e das habitações”, aponta.
“Desbloquear o potencial da eficiência energética nos edifícios europeus através de uma estratégia de reabilitação iria relançar as economias europeias”, refere Joyce, “reanimando o sector da construção, milhões de europeus voltariam ao mercado de trabalho e as facturas energéticas dos consumidores iriam diminuir”.
Os benefícios económicos de uma aposta forte na reabilitação energética dos edifícios europeus têm sido também defendida pela Agência Internacional de Energia (AIE). Yamina Saheb, que esteve recentemente em Lisboa para a conferência “Mais Serviços. Mais Mercado. Mais Economia”, defendeu a necessidade de tornar a reabilitação energética obrigatória, dando o exemplo da Finlândia, que recentemente aprovou uma lei que obriga à reabilitação energética sempre que é feita qualquer obra de reabilitação.
De acordo com um relatório - brochura - elaborado em Outubro de 2012, pela Copenhagen Economics para a campanha Renovate Europe, investir na reabilitação de edifícios pode contribuir com 175 mil milhões de euros por ano para as finanças públicas, juntamente com um impulso adicional que varia entre os 153 e os 291 mil milhões de euros para o PIB até 2017, inclusive.
A campanha Renovate Europe tem como objectivo a elaboração de um roteiro que ajude a triplicar a taxa anual de renovação do parque edificado europeu dos actuais 1% para 3% em 2020, garantindo que se alcança uma redução do consumo energético nos edifícios existentes na ordem dos 80% em 2050 (comparativamente a valores de 2005). A iniciativa foi lançada há dois anos pela EuroACE - European Alliance of Companies for Energy Efficiency in Buildings.
Fonte: Edifícios e Energia (adaptado)
















